Fim da Desoneração da Folha de Pagamento impactará o Transporte Rodoviário de Cargas já no início de 2025
Com a decisão do Governo Federal de encerrar o programa de
desoneração da folha de pagamento, que permitia a substituição da contribuição
previdenciária, de 20% sobre a folha de salários, por alíquota sobre a receita
bruta da empresa, o setor de transporte rodoviário de cargas enfrentará
uma elevação em seus custos operacionais.
O Transporte Rodoviário de Cargas, que é responsável por mais de
60% da movimentação de mercadorias no Brasil, depende fortemente da mão de obra
para a execução de suas operações. Com o fim da desoneração, os transportadores
terão um aumento nos encargos sociais sobre a folha, impactando diretamente a
estrutura de custo do setor.
Além disso, a reoneração da folha de pagamento das transportadoras
no Brasil vai impactar toda a sociedade, isso porque as empresas de transporte
passarão a ter custos de mão de obra mais altos, resultando em aumento de
custos operacionais e, consequentemente, o serviço de transporte de cargas
ficará mais caro para a sociedade, acarretando preços mais altos para os
produtos e serviços utilizados pelos consumidores, sejam eles alimentos,
combustível, vestuário, medicamentos etc.
A pesquisa e as simulações feitas pelo DECOPE ( Departamento de
Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas), da NTC&Logística,
indicam que, mesmo com aumento de forma gradual, só no primeiro ano, o setor
deve ser impactado diretamente em 1,5% em média e,
até o fim do processo em 2028, acumulará quase 5% percentual
equivalente ao lucro médio de uma empresa deste setor.
Além do impacto direto que a medida vai trazer para o setor, há ainda os custos
indiretos decorrentes dela, pois os fornecedores, muitos dentre os 17 setores
atingidos, também vão alterar seus preços, como, por exemplo, os contratos de
TI, Segurança, Comunicação, entre outros. E os agregados pessoas físicas também
foram afetados e deverão ter os seus valores reajustados. Por tudo isso,
estima-se que o impacto seja de duas a três vezes o percentual direto.
O Transporte Rodoviário de Cargas é vital para a economia nacional
e para a competitividade do Brasil no mercado global, e a responsabilidade na
gestão e manutenção de nossas empresas merece toda a atenção.
Nesse sentido, alertamos que o transportador não tem como absorver
mais esse custo, mesmo ele parecendo pequeno nesse momento, pois não se pode
esquecer que a última pesquisa da NTC, realizada em meados de 2024, mostrou
haver uma defasagem anterior acumulada no frete de 15,3% em relação ao seu
custo, sem considerar a redução da desoneração da folha a partir de janeiro de
2025.
Ou seja, se não houver repasse desse custo ao contratante do
serviço de transporte, só no primeiro ano, a medida vai diminuir o lucro médio
das empresas em 30%.
Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&LOGÍSTICA)